(06/02/2010)

•sábado, 6 fevereiro , 2010 • Deixe um comentário

Agradeço, com muito carinho, o perfil, as palavras do Jornalista e Poeta Vinicius Batista – Jornal de Santa Catarina, 06/02/2010.

http://www.clicrbs.com.br/jsc/sc/impressa/4,1147,2797351,14044

Cito a amada Hilda Hilst, que em determinados momentos (na leitura de seus textos), amansou meu coração do furioso ‘Tempos Modernos’. Vida longa à poesia!

“Brotaram flores

nos meus pés.

E o quotidiano

na minha vida

complicou-se.

Diferença triste

aborrecendo o andar

de minhas horas.

Rosa Maria

tem flores na cabeça.

Maria Rosa as leva no vestido.

E esse nascer de flores

nos meus pés,

atrai olhares de espanto.

Ainda ontem

me vieram  dizer

se eu as vendia.

Meus pés iriam

com flores andar

Sobre o teu silêncio.

Tua vida

no meu caminho,

na caminhada grotesca

daqueles meus pés floridos.

De tanto serem zombadas

morreram adolescentes.

Pobres pés, pobres flores.

Murcharam ontem,

hoje secaram.

E o quotidiano

na minha vida

complicou-se.”

IV – Hilda Hilst do livro ‘Baladas’.

Um upaa apertado a vocês que estão por aí, por aqui; sempre por perto.

Nane.

(190110)

•sexta-feira, 22 janeiro , 2010 • Deixe um comentário

Alguns livros me enganaram, algumas vezes.

Em compensação, outros me ensinaram a ler a vida de uma forma mais simples; sim, sim e não, não.

Hare Krishna

•terça-feira, 19 janeiro , 2010 • Deixe um comentário

UMA VISITA AO TEMPLO  HARE KRISHNA DE BLUMENAU


São 18h30 da noite de terça-feira. Mochila nas costas, alegria no coração, à espera, para conhecer um templo, uma filosofia de vida diferente. Novas experiências, necessidade própria do ser jornalista.

O templo Hare Krishna, há três anos na cidade, está localizado na Rua Amazonas, 982 no bairro Garcia em Blumenau. É um prédio simples, branco por fora e, na porta, o letreiro convida a entrar.

O administrador Cajé, 47 anos, do centro de bem estar Govinda, que fica ao lado do Templo, chega sorridente e avisa que o Hara Kanta chega somente às 19h30. Oferece chá, paz, e “papo”, enquanto o líder do movimento não chega. Cajé comenta que “como devoto de Krishna e para começar bem o meu dia, passa pelo cordão cinco vezes, a Japa Mala” – Mostra o cordão no pescoço. Japa Mala significa repetição/contas, é um colar com 108 contas e cada conta é cantada o mantra: Hare Krishna, Hare Krishna, Krishna Krishna, Hare Hare,  Hare Rãma, Rãma Rãma, Hare Hare. “É a melhor forma de espantar as maldades, somente com o mantra o meu dia começa perfeito”, diz o administrador.

O Hara Kanta, líder da comunidade Hare Krishna, chega de Itajaí, onde há nove anos têm outro templo. Mesmo com o ar cansado, recebe os visitantes e devotos com muito carinho e atenção. Hoje, em Blumenau, são mais de vinte integrantes.

Julio Cezar, 22 anos o acompanha, ele é devoto há quatro meses. Júlio é do Rio Grande do Sul e depois de tentar a vida em Balneário Camboriu, se viu perdido e procurou abrigo no Templo Hare Krishna de Itajaí. Depois do apoio e das palavras do Hara Kanta, resolveu segui-lo… Hoje diz “encontrei meu caminho aqui com os Hare Krishna. Aqui me sinto em paz.”

A consciência de Krishna é vivenciada pelos devotos como um processo de auto-purificação, é cantar regularmente no templo e ouvir as suas histórias. Preparar alimentos lacto-vegetarianos com consciência, disciplina, oferecendo a Krihsna, para depois de pronta, compartilhar com a comunidade.

O Hara Kanta convida para a entrada no templo. A primeira providência é tirar os sapatos, como forma de respeito à casa. Começa o encontro saudando a Tulasi, planta oriental, que segundo a história é uma das esposas de Krishna, que se manifesta numa pequena árvore para promover a devoção a Deus.

“O dharma (a lei natural) do vento é secar…

O dharma da água é molhar

O dharma do fogo é queimar

O dharma do ser é AMAR.”

Assim começa a falar o Hara Kanta. Depois de abrir com as devidas saudações a imagem de Prabhupada (fundador do movimento Hare Krishna). Ele fala muito sobre fé, amor, caridade, desprendimento das coisas materiais, de ter uma vida simples e do amor ao próximo.

O templo se mantém de doações fornecidas pelos devotos e simpatizantes do movimento. E comenta “as pessoas que têm, são piedosas, ajudam muito.”

O líder fala que, no início, a aceitação do blumenauense foi difícil. Quando faziam suas caminhadas, no centro da cidade, cantando o mantra e celebrando a vida, muitos falavam mal, “vai trabalhar vagabundo” diziam isso entre outras coisas. Com o passar do tempo (a aculturação), porém, as pessoas se acostumaram e hoje sorriem quando eles passam, batem palmas, celebram e colaboram comprando livros e incensos. “Você encontra muitas pessoas ruins, mas encontra muita gente boa também.” Comenta o Hara Kanta com certo sossego na voz. “Cada pessoa tem a sua bagagem” enfatiza.

O Hara Kanta veio há mais de vinte anos para o Brasil, na época ele tinha 27 anos, mas já foi ateu um “revoltado” disse, não acreditava em nada. Nesta época morava numa praia chamada Paloma, no Uruguai. Lá conheceu dois rapazes devotos de Krishna que foram responsáveis por iniciá-lo nesta filosofia.

Depois das palavras, o líder chama os devotos e visitantes para cantar o mantra, caminhando ao redor de Tulasi (que havia sido colocado no centro do templo). E após a cerimônia serviu Samossa, suco de pêra, sobremesa de mamão com anis às pessoas presentes. “o alimento é feito com muito respeito, silêncio e devoção” diz Hara Kanta.

Terminado o encontro, descendo as escadas em direção à rua, tem-se a impressão de sair mais leve. Brota uma vontade de cantarolar o mantra, seguido de palmas. Um convite para alegrar o restante da noite, na esperança, de que nasça um dia melhor: Hare Krishna, Hare Krishna , Krishna Krishna, Hare Hare,  Hare Rãma, Rãma Rãma, Hare Hare…

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Crédito da foto:  Giovani Nasatto

Edifício Máster

•terça-feira, 19 janeiro , 2010 • Deixe um comentário


Filme, documentário brasileiro de 2002, dirigido pelo cineasta Eduardo Coutinho. Sobre um antigo e tradicional edifício situado em Copacabana, na cidade do Rio de Janeiro, que tem em média 500 moradores.


Um solitário Edifício Máster


Um vídeo. Nele, corredores em tons de verde, salmão, outrora quase sombrios. Um edifício de 276 apartamentos, 12 andares, com 500 moradores. O Edifício Máster, localizado em Copacabana no Rio de Janeiro, já foi ponto de drogas, prostituição e decadência. Depois da entrada do síndico Sérgio, nos últimos anos, as coisas mudaram, para melhor. Como ele mesmo diz a-ferro-e-a-fogo foi colocando ordem na casa.

No documentário de Eduardo Coutinho, sobre este edifício, percebe-se entre uma fala e outra, que uma comunidade pode ser a de um grupo de moradores de um mesmo local. O edifício Máster, com seus tantos moradores, é uma comunidade solitária entre si. Quase, nem mesmo se conhecem os vizinhos, suas histórias; reflexo de uma era de individualismo, de hábitos solitários.

Numa mesma comunidade há uma variedade de estilos, gostos, atitudes. Desde a narcisista que se consola vendo as próprias fotos, poetas, músicos, arquitetos, críticos da vida, da violência, da sociedade. De criança super protegida à prostituta, Alessandra diz, “a hora em que eu morrer vou ser muito feliz” e completa, “o mundo é muito ruim”. Outra moradora que sofre de claustrofobia, Daniela, também chamou a atenção no documentário. Poeta, ela usa a arte como válvula de escape, assim como a maioria dos entrevistados.

A sensibilidade chegou ao auge, com a entrevista do morador Henrique, que interpretou a canção “My Way” de Frank Sinatra… Era tanta saudade no timbre de sua voz, tanta recordação, tanto desabafo e emoção, que acaba se transformando em alegria por ter sobrevivido a mais uma bela interpretação, da canção favorita.

O edifício Máster e os moradores, não estão muito longe da nossa realidade. Quem nunca se sentiu sozinho? Quem nunca foi machucado para valer e resolveu isolar-se do mundo, procurando bálsamos em atividades solitárias? Quem nunca, por um instante, deixou de acreditar na vida, de perder a fé nela? Eis que a arte, que tão explicitamente apareceu em forma de música, poesia, plásticas, nos serve como remédio.

O interessante é comungar essas dádivas junto à comunidade. É não deixar que o mal nos feche para o mundo, pois viver em comunidade é transcender as nossas próprias dores. É perder o medo de sentir o coração arder novamente. É compreender que cada um sabe da dor e do amor que carrega. É fazer da lição um aprendizado e não um castigo, para nos tornarmos melhores, como seres humanos que somos.

“Sim, hove horas, que eu tinha certeza

Quando eu mordi mais que eu podia mastigar

Mas, entretanto, quando havia duvidas

Eu engoli e cuspi fora

Eu encarei e continuei grande

E fiz do meu jeito.” My Way – Frank Sinatra

(131109)

Trevas do Crack

•terça-feira, 19 janeiro , 2010 • 1 Comentário

Trevas do Crack

Uma menina, descabelada e suja, entrou com uma sacola de papel enorme na livraria. As balconistas ficaram atentas, afinal ela tinha todos os aspectos de que não entrara na loja para comprar. Sim, com os constantes pequenos furtos que andam acontecendo na cidade, as balconistas (principalmente as que estão há mais tempo) já aprenderam a perceber, de longe, quando há cheiro de encrenca no ar.

E não deu outra! Logo que se sentiu só num lado da livraria, a menina aproveitou e jogou dentro da sacola quatro livros. Mas, o que ela não sabia é que estava sendo vigiada e, no susto, foi abordada pela balconista. O que era para ser um simples puxão de orelha acabou virando uma cena de filme de terror… A garota jogou a sacola no chão e saiu correndo, foi barrada na porta por outro cliente. E numa cena de histeria começou a jogar livros para tudo quanto era lado. Quando, finalmente, foi segurada pelos braços, num acesso de raiva a pequena ladra mordeu. Mordeu com toda força o braço da líder daquela loja. Mordeu como um cão que não via comida há tempos, como se alguém estivesse lhe arrancando o coração a unhas, ou o que restasse dele. Dois homens a seguraram. Dois homens!

A PM chegou. Um policial, em particular, sorrindo diz: “olha quem está aí, olha!”; ele a conhecia. O apelido da pequena era “Trevas”. Ela havia sido pega um dia antes, fumando pedra (Crack), no famoso parcão da cidade blumenauense. Tiraram do bolso da ladra dois pequenos pacotes de cocaína e cinco pedras… “Trevas adora crack. Agora tu foi pega, mocinha”, dizia o mesmo policial.

Segundo consta no site Crack Nem Pensar, campanha promovida pelo grupo RBS, o crack é mais potente do que qualquer outra droga e provoca dependência, desde a primeira pedra. A droga é de fácil acesso, sem cheiro, de efeito imediato. Para sustentar o vício, o dependente chega a se desfazer de todos os bens, furta de familiares e amigos e, por fim, começa a cometer crimes.

E enquanto Trevas (com um ar perdido) era levada e a gerente era atendida pelos médicos, percebo, num canto da livraria, uma jovem cliente triste. Estava com pena da ladra e comentou: “Acho que eles vão bater muito nela, coitada da Trevas”. E, por um momento, pensei em compaixão. Do que a ladra havia sido feita? Por onde será que andavam seus pais? O que havia almoçado? E por quantas pedras havia passado…

(131009)

por Avendano

•domingo, 10 janeiro , 2010 • Deixe um comentário

“Particularidades” passa a ser vendido em Florianópolis e Gramado

A escritora Nane Pereira, de Blumenau, superou esta semana a marca de 200 exemplares vendidos de seu livro Particularidades. O livro de poesias foi lançado há apenas dois meses, nesta que é a primeira obra publicada pela autora. Com a procura, a partir desta semana Particularidades rompe fronteiras e também estará disponível nas livrarias Sucelus (Gramado-RS) e Navegar (Florianópolis). Em Blumenau pode ser encontrado no Ateliê Estiloarte (nesta a partir de fevereiro) e nas livrarias Alemã e Blulivro.

Particularidades reúne 38 poemas escritos ao longo de mais de uma década. Segundo a autora, a personagem-poeta cresce no meio de dúvidas e interrogações até encontrar na sua escrita um ponto final. O livro é de produção independente. Nane tem como inspiração e ídolos os poetas Lindolf Bell, Hilda Hilst, Mario Quintana e Charles Baudelaire.

Nane Pereira nasceu em Toledo (PR), mas está radicada em Blumenau há 29 anos. A autora de Particularidades pretende terminar o curso de jornalismo (está no 5º semestre), viajar e se aperfeiçoar cada vez mais no mundo das letras. “Tudo o que é dito e escrito têm a sua importância. Sou uma aprendiz, curiosa, no vasto mundo das letras”, afirma.

O Livro PARTICULARIDADES está à venda:

BlUMENAU – SC

Livraria ALEMÃ Mega Store

Rua Amadeu da Luz, 260 – Centro

ESTILOARTE Ateliê e Galeria (a partir 03/02)

http://www.atelieestiloarte.blogspot.com

Rua São Paulo, 420-I  – Victor Konder

BLULIVRO

Rua XV de Novembro, 819 Lj. B – Ed. Blumenauense – Centro

FLORIANÓPOLIS – SC

Livraria NAVEGAR 

http://www.livrarianavegar.com.br

Av. Afonso Delambert Neto, 664, loja 3 – Lagoa da Conceição

GRAMADO – RS

Livraria SUCELUS

Rua Pedro Benetti, 76 Centro

Contatos: (47) 9922-9171; nane0307@gmail.com

UM MUNDO NEM TÃO PARALELO ASSIM.

•sábado, 26 dezembro , 2009 • Deixe um comentário


– Dessa noite não passa!
A formiga desvairada corre contra o tempo.
Pinta-se.
Enrosca-se no seu vestidinho branco.
Enfeita o vaso com retalhos de flores coloridas.
Na vitrola, o som de uma balada conhecida.
Acompanhada de doces se senta à janela na espera… A espera… Desespera.
A lua gorducha inflama-se de vergonha por ela.

No parapeito estreito do cortiço, a pequena formiga resmunga ao vento… Que a colônia cresceu demais… Que as ruas mudaram para um tom de verde desconhecido, talvez concreto. Boas almas não gostam de concreto. Lá longe, absorvida pelas lembranças, suspira com orgulho por conseguir conquistar a amizade do gato, do rato, da coruja zolhuda.
Solta um riso abobalhado, pois lembra que não andou na fila nos últimos tempos.
E numa reza quase inaudível, agradece aos pequenos grilos celestiais o seu formigueiro não ter sido destruído por nenhum ser egoísta.

E quando o sono desnudo, quase a carrega para outros mundos percebe as luzes…
– As luzes! Que alegria!

Celebrando a chegada de um novo ano!

Nane Pereira

” Feliz 2010! E as melhores brisas da estação. Upaa!”

AS BRISAS

•terça-feira, 8 dezembro , 2009 • Deixe um comentário

O livro, “PARTICULARIDADES”, está à venda na Livraria Alemã Mega Store.
Local: Rua Amadeu da Luz, 260
Blumenau – SC.

AGRADECIMENTOS:

Livraria Alemã : http://www.alema.com.br/livros_detalhes.php?id=45

Jaime Batista da Silva: http://jaimebatistadasilva.blogspot.com/2009/11/aconteceu-hoje-261109-o-lancamento-do-1.html

Jornalismo de Rodeio – Karina Beatrice Frainer: http://jornalismodemoda.blogspot.com/2009/11/no-mundo-real-surge-nane-pereira-fada.html

Timbó Net: http://www.timbonet.com.br/noticias_det.asp?cod_noticia=5069

Plantão Blumenau – Monique Becker:

http://moniquebecker.blogspot.com/2009/11/particularidades_26.html

JSC: http://www.clicrbs.com.br/jsc/sc/impressa/4,1124,2726500,13583

um escambau: http://umescambau.blogspot.com/2009/11/lancamento-particularidades-nane.html

No skoob (Valeu Tiago Ribeiro): http://www.skoob.com.br/livro/sobre/62677

Jornalismo Interativo – Aderlani Furlanetto

http://www.jornalismointerativo.com.br/portal/2009/particularidades

Saiu na Revista Gadotti - Turismo/Compras/Negócios, como indicação de leitura, em dezembro/2009(7.000 ex.) http://issuu.com/tresregioes/docs/gadotti_ed_02 -  Upaa a Daiani Coelho e equipe .

Agradeço também ao Sr. Alfredo Scottini, ao Bruno Bachmann, a Gregory Haertel e a Ana Castello Branco Spada … A galera da Ric Record, TV Galega, TVL Cultura, Rádio Comunitária Fortaleza, Furb FM… Valeu mesmo!

Nane Pereira
E-mail: nane0307@gmail.com

Particularidades 26/11/09

•domingo, 8 novembro , 2009 • 1 Comentário

(131009)

•quinta-feira, 15 outubro , 2009 • 2 Comentários

A VILA

A menina, descabelada de moça, tornou-se adulta.
Aprendeu a emprestar os livros.
Aprendeu a se desfazer dos excessos.
Cortou a raiz que a prendia ao jardim
E caminhou em direção à Vila.
Logo, percebeu que não estava sozinha
Escadas egoístas
Jardim sem flor
Cães irônicos
Gatos gordos
Estavam de olhos abertos.
Atentos a sua passagem…

Nane Pereira